Quanto já andei? E olhem ainda foi pouco! Não importa a distância percorrida, tanto faz metros, centimetros ou quilometros de nada adianta a quantidade (dizem que tamanho é documento, vou fazer um RG de 2 Km² para ver se surte mais efeito ao me apresentar as pessoas, chato vai ser para arranjar uma carteira para quardar meu documento) e ponho aspas na qualidade (pois fingir não é tão facil).
Por vezes observo pessoas andando na orla, submersos em suas marés psiquicas, absortas, ao seu redor, viajando nos ventos mentais que sopram para longe do lugar onde estão, não falo só como espectador, o mesmo acontecce comigo, muitas vezes, quase sempre, cegando-nos para coisas que marcam, florecem, iluminam, sombreiam o caminho.
Nem sempre foi assim, comigo, me inseria na paisagem, no intuito de vive-la, sentir, sangrar, chorar, consolar, apanhar, observar... como uma amiga dizia "Observaação" "Viversualizar" funções basicas para a vida, em sua função de viver. Nem só um, nem só o outro para não viver apenas a vida escolhida, mas na sua integralidade, nossa felicidade e nossa tristeza sejam mancas por todo caminho. Tudo tem sua medida, pode ser intenso, manso, denso, tenso, tenro, macio, mas aguçar-nos ao sentido de perceber isso que vive-se como respira, quando aquela senção de que está esquecendo de respirar afligir para, para, para algo não está certo. Pare e reaprenda a respirar, para o oxigenio preencha-nos por osmose, e não de caso pensado.
No ritmo dos dias em que o açoite é um ponteiro de aço a acelerar as suas chicotictacteadas nos pelourinhos das nossas cabeças e dos nossos corações, coisas se perdem ou deixam de ser encontradas, pois o passo é mais largo e centrado nas nossas (in)"concientes" (semi)"escolhas" e o caminhar, quase numa marchacapitalolimpica em busca do podium, das medalhas de ouro; deixam escapar coisas que não possam ser penduradas nas nossas estantes de trofeus.
Até os obstaculos são metamorfoseados em pessoas, esposas, maridos, filhos, pais... qualquer coisa desvirtue do caminho ao podium, e são secamente passados para tras da futura linha de chegada.
Conheci um senhor que foi muito rico, cheio de posses, foi mestre, doutor, empresario, banqueiro, mas começou como prestador de serviço, foi assalariado, transitou em todas as fases da piramide social: miseravel - classe E - classe D - classe C - classe B - classe A - Megamultimilionario; sempre da mesma forma de caminhar (A forma ideal, o inspirador der todos os outros); o conheci num leito de hospital (a ala recebia seu nome) definhando, mas cheido de remedios, 8 enfermeiras, 5 medicos estrangeiros, fora 20 nacionais; enfim, ele queria conversar, por acaso me falou: sabe estarei morto dentro de poucos dias, vão fazer um ritual homerico no funeral, falar das minhas conquistas, dos meus feitos e tal, mas vou morrer aqui numa tristeza desgraçada, pois no caminho que escolhi na vida nãso dei importancia ao meu caminhar: não vi meus filhos crescerem, não ouvi suas risadas nem seus choros, visitei paises não conheci paises, entrei em museus não apreciei museus, comprei artes e tranqueias num cofre...
amanhã ou depois morrerei e dentro do meu caixão vão só flores, cujos odores não admirei durante toda minha vida, agora elas vão perfumar a podridão do meu corpo em decomposição.