Uma angustia ao peito apertado, como se pegassem meus pulmões e o coração num único nó cego e bem apertado. Junto a um vazio, quase vacuo, se não fosse a saudade que ainda habita este pantanoso local. Mas essa saudade não sei ao certo de que, de que mesmo?:
Dos amigos? Sinceramente, nunca tive muitos, desde bem jovem foi assim - era e sou um otimo ouvinte, servia de conselheiro, de ombro, mas sempre mantive uma distância sobre mim, meus sentimentos, decepções, pensamentos, ilusões e desilusões, só me abria, mesmo assim em parte em relação ao amor, mas sobre mim, tudo muito oculto numa penumbra trevas de uma armadura bem montada. Criei um passado inexistente quando mudei de escola, para ocultar os abusos e renegações sofridas no outro coolegio, e uma outra armadura em casa, para não passar para um a imagem do sofrido e amargurado, nem a imagem de ser isolado e alvo de todas brincadeiras. Criei ao colegio novo uma armadura com espada mostrando-me mais bravo e briguento, escondendo-me nesse personagem, e assim foram passando os anos e os textos a serem representados aumentando, para sustentar a mentira que era minha armadura. Fiz amizades nessa epoca no novo colegio, mas será que fui realmente amigo, ocultando, talvez o melhor e o pior de mim por baixo dessa armadura? Sinceramente, não sei e isso me atormenta nessa minha solidão e saudade permanente, mesmo casado e sendo pai.
Na faculdade ao certo mudei muito sai dessa armadura comecei a sair desse meu casco de tartaruga, mas meus fantasmas do ensino fundamental, do ensino medio e os pesadelos tão reais da infancia ainda estavam muito presentes, talvez sempre a sussurrar coisas aos meus ouvidos. Segui um tempo saindo da armadura, amei uma colega de curso, talvez a primeira a me ver fora desse casco, coisas aconteceram, e pelo meu comodismo (coisa da armadura) ou pelo meu medo (coisa de fora do casco) ou desencontros, desconversas, palavras não ditas, ou ditas no tempo errado, ou meu orgulho coisa dos dois lados, mais da armadura, não prosseguimos, e nunca vi dois ficantes, enrolados, chorarem tão sinceros, choros francos de amor. Segui um lado da faculdade ela outro, no caminho que escolhi escolhi uma armadura nova e pela primeira vez me sentir fazer parte de um grupo social, onde me ouviam, eu opinava, falava, me sentia vivo...
tempo depois percebi-me distantes de todos de minha casa, até de mim mesmo, a armadura já havia ganhado vida propria, minha armadura era meu Franckstein, e devorou uma parte de mim e quebrou o resto.
Tenho amigo e amiga (s-esse plural é meio improvável), o Franckstein q eu criei devorou partes que eu gostava em mim e outras ainda estão em cacos espalhados pelos chãos que eu passei.
Mas a saudade que não sei de que (cresce vertiginosamente) e a solidão corroe o resto da tartaruga que restou fora da armadura, roendo como uma única gota ácido num material ainda resistente. Porém tenho o olhar e a força de minha esposa e lindo riso e choro franco de minha filha, como força relutante nesse processo biografico.
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