TALHOS CACOS RETALHOS



4 de mar. de 2010

A padronização dos jardins bem podados, bem aparados...

A toda esquina, de quina em quina, dos quarteirões (não quadrados, quiçá quadriláteros) jardins minuciosamente homogeneos, assustam a paisagem da cidade. Parece andar por quilometros sem sair do lugar, uma caminhada interminável por lugares de nomenclaturas diferentes, distantes, até longinquos, mas tão, e tudo, do mesmo modo.
Num misto de surpresa, como numa viagem alucinógena (seja qual for o psicotrópico legal ou ilegal), se faz um monstro: O Grande Padronizamilla, um grande jardim verde e cinza, poucas cores diferentes dessas, mais cinza que verde, cimento com lanpejos verdes (como estampas, todas do mesmo tamanho, mesma forma, milimetricamente calculadas, recortadas...); engolindo as imaginações criativas individuais heterogeneas, ruminando-as, e volvendo uma massa homogenea padronizada em manobra digna de produção industrial. Um monstro pré-durante-pós-moderno, uma (in)revolução botânica, paisagistica, arquitetônica, urbanistíca e humanística, nascido da média-mídia-globalizada.

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