TALHOS CACOS RETALHOS



21 de abr. de 2011

Quanto cabe a um ponto final, se insiste em ser reticências?

"Condicional
Los Hermanos

Quis nunca te perder
Tanto que demais
Via em tudo céu
Fiz de tudo cais
Dei-te pra ancorar
Doces deletérios
E quis ter os pés no chão
Tanto eu abri mão
Que hoje eu entendi
Sonho não se dá
é botão de flor
O sabor de fel
é de cortar

Eu sei é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
Do que eu preciso é lembrar, me ver
Antes de te ter e de ser teu, muito bem

Quis nunca te ganhar
Tanto que forjei
Asas nos teus pés
Ondas pra levar
Deixo desvendar
Todos os mistérios

Sei tanto te soltei
Que você me quis
Em todo o lugar
Lia em cada olhar
Quanta intenção
Eu vivia preso

Eu sei é um doce te amar
O amargo é querer-te pra mim
Do que eu preciso é lembrar, me ver
Antes de te ter e de ser teu
O que eu queria o que eu fazia o que mais?
E alguma coisa a gente tem que amar
Mas o que não sei mais

Os dias que eu me vejo só
São dias que eu me encontro mais
E mesmo assim eu sei também
Existe alguém pra me libertar
(Rodrigo Amarante)"


Um ponto final. É ele reto, quadrado, enquadrado nas normas, nas regras gramaticais. Se olha no espelho e se não se vê finito. Como num jogo de espelhos paralelos observa-se em infinitude, num universo em segmento, sempre em segmento.

Olha para sua vida e percebe-se reticências, longas reticências: Ideias inacabadas, deixadas para completar mais tarde, ou num aliviar das dores de cabeça; Ideologia equilibrada num desequilibrio sinaptico, sem posicionar-se em finda postura, metamorfoseando-se em seg-men-tos; Cursos sem diplomas abertos num ciclo de serem complementados em algum momento, que não chega, e se prolonga em uma linha pontilhada; Até no sono, não põe a cabeça no travisseiro e dorme, por fim; Amores, então, pouco se afirmou na posição de ser o que lhe é, muito pouco em ser, ao menos, uma afirmação final, sobra-se e seg-men-ta-se em três tristes lagrimas duvidosas reticências...

Não soube-se firmar, nem afirmar, só seguindo, na sua porra-louquice de ser o que lhe convinha, solto sendo segmentos de si, sem caber em si que só em ser ponto já lhe era infinito. Queria ser reticências...
Deixou passar, talvez, oportunidades, que hoje são só reticências sem complementos, reticências depois de pesados "ses"(...se...).
De tanto se buscar em ser o que não sabia ser, nem o que buscava, se emaranhou numa estrata sem saída, sem chegada, sem sinais para dizer para onde ir, ou se deve voltar... mas ao pano de fundo de uma das suas imagens refletidas nesse jogo de espelhos se vê o medo-virgula que te deixou na insegurança de perder o pouco que tinha, se prendendo-o a isso num misto de apego ao comodo e a necessidade de abrigo.

Um comentário:

  1. Tenho 2 links para você:
    http://versonotrombone.blogspot.com/2011/08/blog-post.html (título: ...)
    http://versonotrombone.blogspot.com/2009/10/reticencias.html (título: Reticências)
    Beijos!

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